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Helena Caúla Reis recebe título de Cidadã Recifense

A primeira mulher a ocupar o cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Helena Caúla Reis, recebeu o título de Cidadã do Recife na manhã desta quarta-feira, (20), por iniciativa do vereador Jayme Asfora (PROS). “Por sua trajetória profissional e por seu pioneirismo feminino em áreas, até hoje, dominadas pelos homens, Helena Caúla Reis é um dos grandes exemplos do Recife e merece todas as homenagens, inclusive a de se tornar, oficialmente, uma cidadã recifense”, disse. O vereador reconheceu que a mulher brasileira está aquém da sua importância na política e no serviço público, e que a homenageada é uma personalidade brilhante no judiciário, na magistratura, no Tribunal de Justiça, além de ter sido uma excelente educadora.

A solenidade, que contou com a presença de desembargadores, juízes, procuradores, advogados, e diversas outras autoridades, foi presidida pelo vereador Carlos Gueiros (PSB). O Hino nacional, que é de praxe na abertura das reuniões solenes, foi executado por um quarteto de cordas da Orquestra Criança Cidadã. Outras duas músicas também foram tocadas pelos músicos, durante o evento, My Way e Lamento Sertanejo. O presidente compôs a mesa com o vereador autor do requerimento; a homenageada; o procurador do Estado, César Caúla Reis; o vice-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Cândido Saraiva; o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF 5ª Região),  Manoel Erhardt; o presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT 6ª Região), Ivan Valença Alves; e o presidente da Ordem dos advogados do Brasil (OAB - seção de Pernambuco), Ronnie Duarte.

Helena Caúla Reis é natural de Fortaleza (CE). Ela chegou ao Recife em 1952, aos 12 anos de idade. Aqui, estudou e se graduou em Odontologia e Direito, ambos na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), cursos concluídos nos anos 1962 e 1967, respectivamente. Mais conhecida como a primeira desembargadora do TJPE, Helena Caúla também foi pioneira em muitas outras atividades: primeira Perita Criminal do Estado de Pernambuco; primeira Diretora do Instituto de Criminalística; primeira Procuradora de Justiça do Ministério Público de Pernambuco e primeira Diretora pro tempore da Faculdade de Direito de Pernambuco.

Jayme Asfora fez discurso de improviso. Ele disse que os presentes conheciam a história de Helena Caúla e preferiu falar da relação pessoal com a desembargadora. “Em março de 1988, ingressei como aluno da Faculdade de Direito do Recife. Ali, deparei com bons e ótimos professores. Sempre ouvi que a professora Helena era excelente”, afirmou.  Antes de ser aluno, Asfora a viu ministrando aulas em diversas salas. Ele era membro do Diretório Acadêmico. “Quando pedíamos para entrar nas salas e dar avisos do DA, ela nos recebia com presteza e delicadeza, características que estão amalgamadas em sua personalidade”.  Quando se formou em Direito, o vereador disse que voltou a encontrar Helena Caúla no Ministério público. “Ali, consolidei a minha admiração por esta mulher de tanta coragem cívica”. Voltou a reencontrá-la numerosas vezes, no mundo jurídico, inclusive como desembargadora do TJ.

O currículo profissional de Helena Caúla é cheio de êxitos.  Ela iniciou a sua carreira no Judiciário, em 1959, como datilógrafa e, depois, como oficial judiciária concursada. Em 1966, foi posta à disposição do Poder Executivo, no Instituto de Polícia Técnica, onde permaneceu até 1974, quando ingressou no Ministério Público de Pernambuco como promotora. Em 1993, foi promovida à Procuradora de Justiça, por critério de merecimento. No dia 13 de agosto de 2001, Helena Caúla Reis assumiu o cargo de desembargadora no TJPE, na vaga reservada ao quinto constitucional.

Durante 35 anos, ela foi professora da UFPE nas áreas de Direito, Odontologia, Farmácia, ministrando ainda aulas esparsas em outros cursos da área de Saúde, inclusive Medicina. Na área docente, publicou, em 1992, o livro "Lesões Corporais Enfoque Médico-Jurídico", e contribuiu através do tema  Lesões Corporais na publicação do "Compêndio de Medicina Legal Aplicada", coletânea de vários autores publicada pela UFPE. Teve importantes participações em Congressos Nacionais e Internacionais e nas mais reconhecidas cortes e bancas de estudos do Direito Penal e da Medicina Legal Aplicada.

A nova cidadã do Recife fez o discurso de agradecimento e disse que lembrava do primeiro momento que chegou à cidade, vinda de Fortaleza. Os familiares vieram na frente e ela ficou no Ceará, para não perder o ano letivo. “Reencontrei minha família em dezembro. Ainda lembro da alegria de revê-los. E desde que vim para cá, nunca mais morei em outra cidade”, disse. Mesmo quando foi promotora de justiça de outras cidades, ficava morando no Recife. Em suas memórias afetivas, associadas ao Recife, estão as matinês do Cine Torre; os bondes que faziam a linha Várzea-13 de maio e que necessariamente passava pela Torre; e uma lanchonete nesse bairro, onde, hoje, funciona um salão de beleza. Foi nesse salão de beleza que ela se preparou para vir receber o título. “As memórias do passado me acompanham”, afirmou.

Ela contou diversas histórias de infância e adolescência. “Cantei até em circo. E na TV Jornal. Me pediram para eu voltar, ainda bem que não voltei”. Lembrou que no prédio onde hoje funciona a Câmara Municipal do Recife era a escola Normal. “Além do magistério, aqui também havia o clássico. Eu estudei aqui entre os anos de 1953 a 1958. Brinquei, estudei, errei, fui repreendida muitas vezes, recebi lições que foram imprescindíveis. Hoje, é grande a emoção de voltar a esta casa”, afirmou, citando o nome de diversas colegas da época. Ela lembrou de quando o Brasil foi campeão de futebol, pela primeira vez, na Copa de 1958. “Foi quando eu comecei a namorar como o meu marido, no Cine Moderno”.

Foi um discurso em que resgatou diversas  histórias, inclusive da cidade, falou das belezas do Recife, os rios, o mar, citou trecho de poesia. “Sempre me considerei uma cidadã do Recife. A homenagem que recebo hoje é um reconhecimento e sou muito grata”, disse.


Em 20.06.2018, às 12h45.

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