Convocação de procurador-geral do Município para audiência é rejeitada e gera discussão na Câmara
Os vereadores que debateram o requerimento foram Eduardo Moura (Novo), Felipe Alecrim (Novo), Thiago Medina (PL), Alef Collins (PP), Samuel Salazar (MDB), Davi Muniz (PSD) e a autora da proposição Jô Cavalcanti. No final dos debates, o requerimento teve votação nominal e foi rejeitado por 22 a 11 votos. Ao iniciar a discussão, Eduardo Moura fez um histórico sobre o concurso público para a vaga de procurador do município do Recife, que motivou denúncia para pedido de impeachment do prefeito João Campos, derrubado pelo plenário, na semana passada. De acordo com Eduardo Moura o concurso foi realizado em 2022 e homologado em 2023. Lembrou que em 2025, o candidato Lucas Vieira da Silva alegou que teria direito à vaga porque é uma pessoa com deficiência (PCD).
“As procuradoras do município, porém, foram precisas dizendo que ele podia ter laudo de transtorno do espectro autista (TEA), mas para o concurso já não servia porque fora homologado em 2023”, relatou. De acordo com Eduardo Moura o procurador-geral “passou por cima da decisão de três procuradoras para colocar Luca como primeiro PCD".
O vereador Felipe Alecrim (Novo) também se dirigiu à tribuna e disse que parabenizava Jô Cavalcanti (PSOL) pela autoria do requerimento. “Nós divergimos em vários temas, mas tem uma coisa que nos une: a coragem e o desejo de fazer a diferença na vida das pessoas. A senhora mostra que é independente”.
Em aparte, Davi Muniz (PSD) afirmou que a audiência seria o local para que as explicações fossem dadas. “Chegou a hora e vamos continuar caminhando firme e forte. A vereadora Jô Cavalcanti pode contar também com o meu mandato”.
Ao ocupar a tribuna para discutir o requerimento, o vereador Thiago Medina (PL) disse que “o PSB, hoje, passa por uma coisa que nunca passou na vida: uma oposição de verdade. A verdade está sendo escancarada para o povo recifense”.
Em seu discurso, Alef Collins ressaltou que, apesar de estar em um campo político distinto, enxerga que a vereadora Jô Cavalcanti buscou responsabilidade e transparência no pedido – já a Prefeitura, em sua opinião, procura “esconder” e “blindar”. “O que a gente está vendo hoje na cidade do Recife é, realmente, os olhos se abrindo. As pálpebras já estão se abrindo. Estamos vendo a realidade”.
Enquanto Alef Collins estava na tribuna, Davi Muniz voltou ao microfone de aparte para criticar a não convocação do procurador-geral e os posicionamentos da base aliada.
Ao finalizar os debates, a vereadora Jô Cavalcanti explicou por que apresentou o pedido de realização da audiência pública, com convocação do procurador-geral do Recife. “Fiz o papel que todos temos que fazer aqui na Câmara, que é o de buscar a verdade. Eu coloquei esse requerimento porque entendo que na política precisamos ter coerência e eu faço o meu trabalho de fiscalização. Meu partido é de coerência na luta anticapacitista. Em 27 de dezembro teve nomeação de uma pessoa que estava na 63ª posição do resultado do concurso. E nós levantamos questionamentos necessários, pois a situação é grave”
Ela disse que a audiência pública serviria para que o procurador pudesse se explicar como se deu todo o processo “pois a pessoa que estava apta para o cargo foi substituída por outra”. O vereador Eduardo Moura pediu aparte e reafirmou o que disse em seu discurso, de que estava “com orgulho da vereadora”, acrescentando que a parlamentar “é a única que teve a coragem de pedir a convocação” e que “é coerente com que sempre defendeu”.
O líder do governo, vereador Samuel Salazar (MDB) também pediu aparte, citou dados cronológicos sobre a realização do concurso e argumentou em defesa da gestão municipal. “Na semana passada, eu já fiz a defesa do prefeito mostrando que ele não tinha nenhum tipo de ingerência em questão de reclassificação ou requalificação de qualquer candidato”, afirmou. Para o parlamentar, o caso gera controvérsia, porque pode haver decisão judicial que beneficie um ou outro candidato. Salazar lembrou que o procurador concedeu “um parecer e que, em seguida, ele reviu o seu posicionamento e, então, foi anulado o ato”. Ele explicou, ainda, que “o candidato 63, embora tenha sido nomeado não chegou a tomar posse. Depois, foi feita a nomeação do candidato 102 que tomou posse”.
Clique aqui e assista a reportagem do TV Câmara do Recife.
Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Eduardo Moura.
Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Felipe Alecrim.
Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Thiago Medina.
Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Alef Collins.
Clique aqui e assista ao pronunciamento da vereadora Jô Cavalcanti.
Em 10.02.2026.