Monitoramento de integrantes da Prefeitura é debatido em plenária da Câmara
O vereador Júnior de Cleto trouxe o tema para debate, no plenário. Ele definiu o que é arapongagem. “É o uso de técnica de espionagem, monitoramento e coleta de dados, por agentes públicos ou privados. É considerado crime e abuso de autoridade. Foi um absurdo o que assistimos pela televisão. Agentes públicos espionaram um secretário municipal e o irmão dele. Mas a Polícia Federal está tomando conta desse caso e vai solucionar”.
Ao tratar do tema na tribuna, Eduardo Mota disse que o caso ganhou “contornos institucionais alarmantes” com a determinação do STF para que a Polícia Federal apure o monitoramento ilegal de integrantes da gestão do prefeito João Campos. De acordo com ele, há suspeitas de investigação sem objetivo certo, o que é proibido pela legislação brasileira.
“Não é um gesto qualquer. É o Supremo dizendo que há indícios sérios de violação de direitos fundamentais e de uso indevido da estrutura do Estado. Mais do que isso, o ministro [Gilmar Mendes] suspendeu a apuração que vinha sendo conduzida no âmbito estadual e levou o caso para a esfera federal. Isso, por si só, já demonstra a gravidade e a falta de confiança na condução local das investigações”.
Em outro momento da reunião plenária, no Grande Expediente, o tema voltou a ser debatido. O vereador Júnior de Cleto ocupou mais uma vez a tribuna e disse que a polícia fez investigação sem ter um boletim de ocorrência. “É muito triste reviver uma ditadura. É um crime que usou a máquina pública”. Ele disse, ainda, que a prática de investigação ilegal viola direitos fundamentais. “Quem mandou investigar, quem autorizou?”
O vereador Thiago Medina (PL) pediu aparte e fez outro questionamento, aproveitando a pergunta anterior. “Quem mandou o Procurador Geral do Recife passar o filho do juiz à frente no concurso?”.
A vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) também pediu aparte e disse que não foram somente duas pessoas vítimas das investigações não oficiais. “A investigação ilegal ocorreu com 20 secretários. Foi preciso o STF dizer que não se pode fazer isso sem uma queixa, um inquérito, sem uma reclamação. O que estavam fazendo é o que fizeram na época da ditadura”, disse, citando várias figuras históricas e políticas de Pernambuco.
Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Júnior de Cleto.
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Em 09.02.2026.