Monitoramento de integrantes da Prefeitura é debatido em plenária da Câmara

O possível monitoramento ilegal de integrantes da Prefeitura do Recife por agentes da Polícia Civil do Estado foi tema de debate na Câmara Municipal, na reunião plenária realizada na manhã desta segunda-feira (9). Os vereadores Júnior de Cleto e Eduardo Mota, ambos do PSB, trataram do assunto como sendo “prática de arapongagem”. Outros parlamentares também participaram do debate. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal apurar o caso.

O vereador Júnior de Cleto trouxe o tema para debate, no plenário. Ele definiu o que é arapongagem. “É o uso de técnica de espionagem, monitoramento e coleta de dados, por agentes públicos ou privados. É considerado crime e abuso de autoridade. Foi um absurdo o que assistimos pela televisão. Agentes públicos espionaram um secretário municipal e o irmão dele. Mas a Polícia Federal está tomando conta desse caso e vai solucionar”.

Ao tratar do tema na tribuna, Eduardo Mota disse que o caso ganhou “contornos institucionais alarmantes” com a determinação do STF para que a Polícia Federal apure o monitoramento ilegal de integrantes da gestão do prefeito João Campos. De acordo com ele, há suspeitas de investigação sem objetivo certo, o que é proibido pela legislação brasileira.

“Não é um gesto qualquer. É o Supremo dizendo que há indícios sérios de violação de direitos fundamentais e de uso indevido da estrutura do Estado. Mais do que isso, o ministro [Gilmar Mendes] suspendeu a apuração que vinha sendo conduzida no âmbito estadual e levou o caso para a esfera federal. Isso, por si só, já demonstra a gravidade e a falta de confiança na condução local das investigações”.

Em outro momento da reunião plenária, no Grande Expediente, o tema voltou a ser debatido. O vereador Júnior de Cleto ocupou mais uma vez a tribuna e disse que a polícia fez investigação sem ter um boletim de ocorrência. “É muito triste reviver uma ditadura. É um crime que usou a máquina pública”. Ele disse, ainda, que a prática de investigação ilegal viola direitos fundamentais. “Quem mandou investigar, quem autorizou?”

O vereador Thiago Medina (PL) pediu aparte e fez outro questionamento, aproveitando a pergunta anterior. “Quem mandou o Procurador Geral do Recife passar o filho do juiz à frente no concurso?”.

A vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) também pediu aparte e disse que não foram somente duas pessoas vítimas das investigações não oficiais. “A investigação ilegal ocorreu com 20 secretários. Foi preciso o STF dizer que não se pode fazer isso sem uma queixa, um inquérito, sem uma reclamação. O que estavam fazendo é o que fizeram na época da ditadura”, disse, citando várias figuras históricas e políticas de Pernambuco.

 Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Júnior de Cleto.

Clique aqui e assista ao pronunciamento do vereador Eduardo Mota.

Em 09.02.2026.