Plenário debate aplausos ao Memorial da Democracia, ao Agente Secreto e outros requerimentos

O conjunto de nove requerimentos de autoria da vereadora Liane Cirne (PT) foi debatido por vereadores, na reunião plenária realizada pela Câmara Municipal do Recife, na manhã desta segunda-feira (9). Todos os requerimentos pediam votos de aplausos, entre os quais ao aniversário de três anos de construção do Memorial da Democracia e ao filme O Agente Secreto, indicado ao Oscar. Participaram do debate os vereadores Eduardo Moura (Novo), Cida Pedrosa (PCdoB), Luiz Eustáquio (PSB), Liana Cirne, Gilson Machado Filho (PL), Alef Collins (PP) e Thiago Medina (PL).

Primeiro a debater os requerimentos, o vereador Eduardo Moura destacou o requerimento número 183/2026, que concede voto de aplausos ao Memorial da Democracia de Pernambuco Fernando de Vasconcelos Coelho, em razão da comemoração dos três anos de sua existência. “Que este memorial signifique atos”, afirmou, aproveitando para dizer que o dia em que foi votado o pedido de abertura de processo de impeachment movido contra o prefeito do Recife, na terça-feira passada, foi um exemplo de prática antidemocrática.

A vereadora Cida Pedrosa pediu aparte, ressaltou a democracia e lembrou que a República Brasileira foi montada sobre “uma sucessão de golpes e períodos democráticos”. Ela também falou sobre as “arbitrariedades praticadas pela ditadura militar de 1964” e defendeu a necessidade de “comemorar os três anos de construção do Memorial”.

Ao debater os requerimentos 197/2026, com voto de aplausos ao ator Wagner Moura, em razão de sua indicação ao Oscar 2026 na categoria Melhor Ator; e o 198/2026, com voto de aplausos ao diretor de elenco Gabriel Domingues, em razão de sua indicação ao Oscar 2026 na categoria Melhor Direção de Elenco, o vereador Eduardo Moura disse que votaria contra ambos. “Voto contrário porque os homenageados não são do Recife. Com relação ao filme, acho que a democracia deve ser respeitada e o filme trouxe essa discussão. Foi indicado ao Oscar”.

A autora dos requerimentos, vereadora Liana Cirne, destacou que o Memorial da Democracia de Pernambuco lembra da importância de se defender os mais diversos posicionamentos políticos. “Porque isso é democracia. Nós somos eleitos pelo povo e não temos mandatos biônicos. Nós prestamos conta a quem nos elegeu e viemos para essa Casa para defender nossos pontos de vista. E que bom que nós temos pontos de vista divergentes, que não são reflexo de um pensamento único e que nenhum de nós aqui é torturado, preso, assassinado ou desaparecido como aconteceu com Rubens Paiva”.

Em aparte, Luiz Eustáquio recordou o caso do estudante Demócrito de Souza Filho, morto em praça pública por forças do governo de Getúlio Vargas. “A ditadura de Getúlio Vargas matou um estudante de Direito que saiu daqui da frente da nossa sede em direção ao Diario de Pernambuco. Aquele homem foi morto enquanto esperava o discurso de Gilberto Freyre, durante o governo de Agamenon Magalhães, que era do mesmo lado daqueles que defendem a ditadura. Demócrito de Souza filho perdeu a vida na sacada do Diario de Pernambuco. Então, quando a gente fala de democracia, o que a gente não quer é que isso aconteça novamente”.

Liana Cirne também comentou sobre os votos de aplausos ao diretor Kleber Mendonça Filho, ao ator Wagner Moura, ao diretor de elenco Gabriel Domingues e ao filme O Agente Secreto, todos indicados ao Oscar 2026. “Que orgulho para a gente ter um filme que retrata o Recife da maneira brilhante como retrata o cinema São Luís, as ruas do Recife, a nossa cultura, o nosso sotaque e os nossos edifícios. Muito lindo ter a nossa cidade exaltada num filme que ganhou quatro indicações de Oscar: melhor filme, melhor filme estrangeiro, melhor direção de elenco e melhor ator”.

O vereador Gilson Machado Filho ocupou a tribuna da Câmara do Recife e criticou o requerimento nº 197/2026, que concede voto de aplauso à escritora Teresa Freitas, em razão do lançamento do livro “Surto Coletivo: da Histeria Nacional até a Prisão de Bolsonaro”. “A base do livro inteira é chamar quem apoia o presidente Bolsonaro de louco, histérico. A gente tem que ter muito cuidado com o que vota nesta Casa, com o que a gente aplaude. Será que a gente vai aplaudir um livro que chama a metade da população brasileira de louca?”, questionou. Ele também discutiu requerimentos que concedem votos de aplausos a professoras da cidade do Cabo de Santo Agostinho.

O parlamentar também criticou requerimentos que exaltam o filme O Agente Secreto e declarou voto contrário a todos os pedidos da parlamentar. “Nada contra o filme, nada contra o diretor. Discordo dele em diversos aspectos mas, no momento em que um filme como esse recebe R$ 7.5 milhões nossos, de pagador de imposto, ele não pode mais subir no palco do Globo de Ouro e fazer uma fala que diz respeito a metade da população brasileira, contra o ex-presidente Bolsonaro”.

Declarando voto contrário aos requerimentos, o vereador Alef Collins  também avaliou negativamente o voto de aplauso ao livro “Surto Coletivo”. “Transformar um posicionamento político-partidário em um ato oficial de aplauso nesta Casa, a gente vai estar abrindo precedente para muito problema que vai vir. Principalmente em um ano eleitoral”.

Ao tratar dos requerimentos que homenageiam a equipe de O Agente Secreto, Alef Collins também criticou os valores de roupas utilizadas por Wagner Moura, associou o ator ao comunismo e afirmou que o ator espalhava “fake news mundo afora”. A opinião foi compartilhada pelo vereador Thiago Medina que teceu críticas ao posicionamento da vereadora Cida Pedrosa, que o antecedeu na fila de apartes, e disse que as roupas foram cedidas por marcas para ações de marketing.

Ao final dos debates, não houve quórum para a votação nominal conforme foi solicitado. Por isso, as proposições voltarão à pauta na próxima reunião Ordinária. 

 Clique aqui e assista a reportagem do TV Câmara do Recife.

Clique e assista ao pronunciamento de Eduardo Moura.

Clique e assista ao pronunciamento de Liana Cirne. 

Clique e assista ao pronunciamento de Gilson Machado Filho.

Clique e assista ao pronunciamento de Alef Collins. 

 

Em 09.02.2026