Audiência pública lembra 62 anos do Golpe Militar

"Vigília cívica em memória dos 62 anos do Golpe Militar". Esse foi o tema de uma audiência pública promovida pela vereadora Liana Cirne (PT), na tarde desta terça-feira (31), no Salão Nobre da Câmara do Recife. O encontro, em formato de uma roda de conversa, reuniu ex-presos políticos, entidades estudantis, movimentos sociais e representantes do Conselho de Direitos Humanos da Cidade do Recife, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) e da Prefeitura.

“É fundamental que a gente lembre a ditadura civil militar brasileira para que ela nunca se repita. Nós precisamos demarcar o espaço e o campo da democracia, lembrando e lutando para que a democracia permaneça de pé, em tempos de tantas ameaças, em que tivemos em janeiro de 2023 uma tentativa de golpe e de instauração de uma outra ditadura brasileira”, destacou Liana Cirne.

Cartazes com fotos de militantes mortos nos anos 70 foram expostos na vigília junto também a faixas do Fórum da Anistia e do Conselho Municipal de Direitos Humanos e Segurança Cidadã do Recife que pediam, respectivamente, punição para os torturadores e uma cidade mais segura, especialmente para as mulheres. Durante a vigília, teve leitura de poema e várias falas sobre a importância da democracia, da verdade e de uma política pública de memória.  

Gerente de Articulação de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos do Recife, Marcelo Santa Cruz lembrou de vários episódios do período militar na cidade. Irmão do estudante de Direito Fernando Santa Cruz , desaparecido político em 1974, ele reforçou a importância de uma sociedade mais justa e disse que a história precisa ser contada para não se repetir. “É importante ter uma política de memória e verdade porque é a luta pela democracia. A luta pela memória representa justamente lutar pela democracia e para que esses fatos que ocorreram no passado não voltem nunca mais a acontecer”.

Ativista de direitos humanos, fundadora do Movimento Tortura Nunca Mais de Pernambuco e integrante da Comissão Nacional de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Amparo Araújo reforçou que atos como a vigília realizada na Câmara, em momentos simbólicos, constroem uma política de memória e fortalecem a identidade do povo do Recife e de Pernambuco. “Que a gente um dia possa ter uma sociedade justa e igualitária como o nosso País merece e que, finalmente, o nosso País se torne uma nação porque um país sem memória, sem identidade, ele nunca vai ser uma nação”.

Ex-preso político, sociólogo e coordenador do Comitê Memória, Verdade, Justiça, Reparação e Democracia, Edival Nunes Cajá falou sobre a necessidade do circuito da memória na cidade. “Eu passei por cinco presídios em locais diferentes e eu gostaria de colocar placas nesses lugares”. Ele propôs ainda substituir os nomes de espaços e logradouros públicos que homenageiam pessoas ligadas ao regime militar. “Devemos colocar o nome de figuras como Dom Helder, Gregório Bezerra, Manoel Aleixo e tantas figuras humanas que dedicaram suas vidas por um mundo melhor e por um Brasil livre e democrático”.

Fizeram ainda explanações Manoel Moraes, do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (CENDHEC); Nara Santa Cruz, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB-PE; Thiago Santos, presidente do Conselho de Direitos Humanos da Cidade do Recife; Malu Aléssio, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB; Maicon Ferreira, da Associação Pernambucana de Anistiados Políticos; padre Fábio Potiguar, do Fórum dos Comitês da Memória e Verdade do Nordeste; José Soares, da página História em Retalhos e Oseas Borba, do Grupo João Teimoso.

Clique aqui e assista a reportagem da TV Câmara do Recife.

Em 31.03.2026