Vereador debate situação de motoristas de aplicativos em reunião pública

Após um ato de protesto que paralisou o trânsito nas principais ruas que dão acesso ao centro do Recife, no início da tarde, os motoristas de aplicativo participaram de uma reunião pública organizada pelo vereador Eduardo Moura (Novo), nesta quarta-feira (4), no plenarinho da Câmara Municipal. Além do tema da falta de segurança, que motivou o protesto, os profissionais do trânsito – que inclui o pessoal que trabalha de carro e os de moto - puderam falar, na Casa de José Mariano, de suas realidades, dificuldades de trabalho e das necessidades da categoria.

Na abertura, o vereador Eduardo Moura explicou que agendou a reunião pública antes do assassinato do motorista Victor Dantolli de Fontes Souza, morto a tiros, ontem, dia 3, no bairro de Casa Forte, enquanto trabalhava. O vereador explicou que sempre se interessou pela causa dos motoristas de aplicativo, o que incluía a questão da segurança. “O principal motivo da gente estar aqui hoje é a vida de vocês. A questão da segurança é fundamental porque tivemos o assassinato brutal de um trabalhador. Mas o outro motivo que gerou esta reunião é a busca de melhoria da vida de vocês”

A morte de Victor Souza foi um tema que permeou toda a reunião, mas diversos assuntos foram tratados. O vereador Eduardo Moura atendeu ao pedido dos participantes do encontro, que queriam conhecer as propostas que, segundo ele, serviriam para embasar um futuro projeto de lei que favoreceria os profissionais de aplicativos. Essas propostas, inclusive, seriam o motivo original da reunião desta quarta-feira. “Tudo o que tiver ao meu alcance, enquanto vereador, dentro da jurisdição municipal, contem comigo. No mais, buscarei apoio de deputados”, disse o parlamentar.

Entre as propostas, Eduardo Moura sugeriu a instalação de um botão do pânico nos carros de aplicativos e motos. Esses botões poderiam ser acionados, segundo a proposta, em conexão com guardas municipais e policiais militares, quando os profissionais estivessem com passageiros suspeitos. O vereador também sugeriu a criação de mecanismos para exigir que as empresas de aplicativos viessem a instalar câmeras de segurança para filmagem no interior dos carros. Essas câmeras deveria estar interligadas à Central de Monitoramento da Autarquia de Trânsito e Transportes Urbanos (CTTU). As outras propostas implicariam a liberação de subsídios para que os motoristas de aplicativos pudessem adquirir seus carros, assim como subsídios para aquisição de equipamento de gás nos veículos (para combustível).

Essas questões foram amplamente debatidas. A motorista identificada por Taisa, representante do Grupo de Mulheres na Direção, composto por 160 motoristas mulheres, discordou e disse que essas propostas já foram apresentadas e discutidas em outros locais, como a Assembleia Legislativa. O botão de pânico seria inviável, segundo ela, pois a mesma proposta já tinha sido dada para os ônibus coletivos do Grande Recife e não funcionaram.

“As câmeras, no entanto, são uma boa ideia. Elas seriam importantes para reduzir o assédio. Há um sistema da empresa intelbras, que é muito bom. Mas já tentamos parcerias privadas para viabilizar essas câmeras e não conseguimos”, disse. Em relação aos subsídios, Taisa disse que, como os motoristas de aplicativo não são uma categoria profissional reconhecida por lei, é um impeditivo para a liberação dos subsídios. Os taxistas têm os subsídios porque eles constituem uma categoria de fato e de direito.

A motorista Taisa, porém, propôs a criação de pontos de apoio espalhados na cidade, que funcionem como área de descanso para os motoristas de aplicativo. Ela propôs, ainda, a melhoria na organização da fluência do trânsito no Aeroporto Internacional do Recife. “Os motoristas de aplicativos são proibidos de acessar ou de estacionar na parte de embarque e desembarque. Não podemos parar para desembarcar os passageiros. Sempre somos multados”, reclamou. O vereador garantiu que realizará reunião com representantes de instituições para tentar mudar essa situação.

O vereador disse ainda que vai realizar uma fiscalização para saber como está funcionando essa questão do embarque e desembarque, assim como vai verificar como está a área de espera de motoristas de aplicativo no aeroporto (que eles chamam de curral).

Outro motorista, identificado como Leonardo, falou da importância de criação da faixa única azul para livre circulação de motoristas de aplicativos e motociclistas nas principais vias, a exemplo das que foram feitas em São Paulo. Essas faixas seriam semelhantes às do BRTs. “Essa medida poderia facilitar o tráfego e também evitaria muitos acidentes”, disse. O presidente da Associação de Trabalhadoras e Trabalhadores por Aplicativos de Pernambuco, Geison Lima, falou em seguida e disse que um projeto de lei  propondo a criação dessa faixa azul no Recife está parado, na Câmara Municipal. Seria um projeto de lei de autoria do vereador Luiz Eustáquio (PSB). “Como o pessoal da associação de bicicletas queriam uma faixa semelhante ao dos aplicativos, o projeto ficou inviável e está paralisado. Mas ele seria muito bom”.

Um participante da reunião, que se identificou como Douglas, afirmou que fez um estudo sobre motoristas de aplicativos e motos. “No máximo, os carros pegam até 15 passageiros por dia e motoqueiros, 20. E a plataforma ainda fica com boa parte desta receita”, lamentou. O motociclista, disse ele, fica apenas R$ 86 centavos por quilômetro rodado e os motoristas, R$ 1,30. Ele sugeriu que, para aumentar a receita, os motoristas poderiam exibir propagandas em seus veículos, transportar produtos e usar o marketing digital.

Outro motorista, Estéfano, disse que o motorista além de recolher a taxa para a plataforma, também enfrenta as condições de rua e precisa pagar toda a manutenção do veículo. Ele acha que a criação da Faixa Azul resolveria muitos problemas da categoria.

Carlos Henrique, representante do Grupo Falcões Elétricos (motorista de aplicativos que têm carros elétricos) falou da segurança e disse que um dos problemas constante é quando, após o desembarque, os motoristas ficam parados no mesmo local. Segundo ele, Victor Souza teria morrido porque ficou parado no local de desembarque, esperando novo chamado para rodar. Carlos Henrique defendeu a necessidade de os motoristas de aplicativos, por questão de segurança, não terem que esperar pelos passageiros. “Os passageiros que não estiveram na porta (de prédios e casas) sofrerão taxa de cancelamento”, disse.

O motorista Joab falou sobre roubo de motos e latrocínio, Ele disse que a vida de motoqueiros vale, nas oficinas de desmanche de motos, R$ 500, sobretudo de madrugada. “A nossa principal pauta aqui, é a vida”, destacou, falando sobre a segurança pública. Ele afirmou que um dos problemas é a existência das oficinas de desmanche de motos.

No final da reunião pública, o vereador Eduardo Moura solicitou um minuto de silêncio em homenagem póstuma ao motorista Victor Souza. 

Clique aqui para assistir à reportagem do TV Câmara do Recife.

Clique aqui e assista a reunião pública: Situação dos motoristas de aplicativos.

Em 04.03.2026.