Vereadoras alertam para casos de violência contra mulheres e feminicídio

O problema da violência contra a mulher foi tema de debate na Câmara do Recife durante a reunião plenária desta segunda-feira (30). Estatísticas e casos de agressões e feminicídios em Pernambuco e no Brasil foram levados à tribuna da Casa pelas vereadoras Liana Cirne (PT) e Ana Lúcia (Republicanos). Em seus discursos, as parlamentares demonstraram preocupação com problemas culturais relacionados à questão, como o crescimento do machismo.

Ao se pronunciar na reunião, Liana Cirne repercutiu dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, que apontam que em janeiro e fevereiro deste ano os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher no Estado superaram as 8 mil ocorrências. Ainda de acordo com ela, foram 18 feminicídios em Pernambuco nos dois primeiros meses do ano. “São números que não são apenas números, mas o relato de uma epidemia de violência contra a mulher no nosso Estado e no Brasil”.

Após lamentar casos como o da menina Alícia Valentina, que morreu no ano passado após ser espancada dentro da escola em que estudava em Belém do São Francisco, no sertão pernambucano, Liana Cirne tratou do crescimento de movimentos misóginos, como o “red pill” e os de celibatários involuntários, ou “incels”. 

“São homens que odeiam as mulheres, a ponto de querer exterminá-las, ao ponto de querer matá-las, erradicá-las. Nós não podemos aceitar mais isso. E isso está ligado ao crescimento da extrema direita no nosso país”, disse. Ela atribuiu à ideologias de extrema direita o crescimentos de movimentos como os "red pill", e "incel".  "Com essas ideologias, cresceu o número de morte de mulheres”.

Em seguida, a vereadora Ana Lúcia também ocupou a tribuna e destacou uma relação de nomes e idades de mulheres vítimas de feminicídio no Estado: "Rose, de 51 anos. Cláudia Nunes, de 53 anos. Luciana, de 21 anos. Lídia, de 35 anos. Crislaine, de 19 anos. Ingrid, de 22 anos. Maria Luciana, de 43 anos, Sandra Justino, de 37 anos. Percebam que a faixa etária não é critério para morrer. A classe social também não", lamentou.

A parlamentar distribuiu nas mesas dos vereadores notícias sobre mulheres assassinadas e objetos - como pulseiras, canecas, panos de prato, batom - que compõem o universo feminino. "Quando a gente coloca essa mensagem, não é para ser amassada, não é para ser colocada de lado", disse. "Nós precisamos de todos que estão aqui. Vocês [vereadores] precisam se indignar com isso". Visivelmente emocionada, ela chamou a atenção para a necessidade de as vítimas fazerem denúncias, não se calarem diante da violência sofrida dentro de casa, em seus relacionamentos.

No entanto, Ana Lúcia lamentou a falta de assistência do Estado quando se trata de feminicídio. "Não dá para fechar os olhos e ignorar. Nesse governo estadual, a pauta não está sendo tratada. Estamos morrendo. Nunca os números foram tão altos. Pernambuco, o estado da violência contra nós mulheres, está acima da média nacional. São 184 municípios, 15 delegacias especializadas de atendimento à mulher e, apenas sete dessas funcionam 24 horas. Será que não é por isso que as mulheres não vão às delegacias? Finais de semana e feriados estamos abandonadas".  

Clique aqui e assista a reportagem da TV Câmara do Recife.

Clique aqui e assista ao pronunciamento da vereadora Liana Cirne.

Clique aqui e assista ao pronunciamento da vereadora Ana Lúcia.

 

Em 30.03.2026