Voto de aplausos às mulheres do MST e MTST gera debate em plenário

Foi tema de debate na Câmara do Recife, nesta terça-feira (3) o requerimento nº 983/2026, de autoria da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL). A proposição concede voto de aplausos e congratulações às mulheres militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), atuantes em Pernambuco, por ocasião das comemorações alusivas ao "Dia Internacional da Mulher". Durante a reunião plenária, discutiram o requerimento o vereador Paulo Muniz (PL), Kari Santos (PT), Gilson Machado Filho (PL), Eduardo Moura (Novo) e Thiago Medina (PL). A matéria foi aprovada em votação nominal com 15 votos favoráveis e seis contrários.

Ao ocupar a tribuna para discutir o requerimento, o vereador Paulo Muniz disse que votaria favorável ao pedido pois "com certeza, muitas mulheres, se não a maioria delas do Movimento Sem Terra, são, sim, mulheres guerreiras e merecem a homenagem". No entanto, o parlamentar criticou o movimento. "O PT e o seu “filhote”, o PSOL, que já estão no poder há mais de 20 anos, já podiam ter resolvido essa questão da terra há muito tempo", disse.

Em aparte, a vereadora Kari Santos criticou o agronegócio e destacou que "o MST é um movimento de luta por terra, que faz o trabalho de fiscalizar terras improdutivas para poder dar terra a quem precisa, para plantar e trazer comida para a mesa do povo trabalhador". O vereador Gilson Machado Filho, também em aparte, afirmou que "fica escancarado que o que eles pregam [os integrantes do Movimento Sem Terra], eles não fazem. Se não fosse o agronegócio, a gente não teria comida na mesa de muito brasileiro hoje". Em seguida, o vereador Eduardo Moura disse que "70% da produção de alimento do Brasil é feita pelo agro. O que é trazido pelo MST é de agricultura familiar, que não quer dizer que faz parte do MST".

Na tribuna, o vereador Thiago Medina também fez questão se posicionar de forma contrária ao requerimento. Ele classificou o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra como uma organização “terrorista” e exaltou as empresas ligadas ao agronegócio. "Sempre que tiver MST, votarei contra”, disse. “Vamos exaltar, também, o agronegócio pernambucano, plantando cana-de-açúcar, colocando açúcar na mesa de todo mundo aqui, ao invés de a gente só criticar”.

Em aparte a Medina, Paulo Muniz voltou a tecer críticas ao MST, lembrando um episódio ocorrido em 2023, quando o Movimento realizou uma ação em uma área da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

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Clique e assista ao pronunciamento do vereador Thiago Medina e aparte. 

Em 03.03.2026.