Audiência discute misoginia e enfrentamento à violência contra a mulher nas escolas

Uma audiência pública promovida na Câmara do Recife nesta quinta-feira (7), por iniciativa do vereador Hélio Guabiraba (PSB), colocou em debate a importância da conscientização sobre a misoginia e a violência contra a mulher nas escolas municipais da capital. Parlamentares, gestores do Poder Executivo e membros do sistema escolar público do Recife, incluindo um grupo de estudantes da Escola Municipal da Mangabeira, participaram da discussão no plenarinho da Casa.

Ao dar início ao evento, Hélio Guabiraba mencionou contribuições de seu mandato que fomentam a dignidade das mulheres e a prevenção de crimes. É o caso da lei municipal nº 18.523/2018, que instituiu o Programa de Combate aos Crimes contra a Dignidade Sexual no Sistema de Transporte Público, e da lei municipal nº 18.817/2021, que dispõe sobre o fornecimento de absorventes higiênicos nas escolas públicas municipais.

“Estamos aqui hoje para tratar de algo sério, que é proteger a vida das mulheres. E eu digo com clareza: não dá mais para agir só depois da violência. A gente precisa prevenir”, afirmou o vereador. “Misoginia é desrespeito, desprezo, ódio contra a mulher. E isso precisa mudar. O caminho é a educação. É ensinar aos nossos jovens o que é respeito, ensinar que a mulher não é objeto e não é alvo”.

As vereadoras Jô Cavalcanti (PSOL), Cida Pedrosa (PCdoB) e Ana Lúcia (Republicanos) integraram a mesa de debates da audiência – estas duas últimas, respectivamente como presidentes da Comissão da Mulher e da Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esportes da Câmara.

“A misoginia e o ódio às mulheres acontecem quando a gente passa a odiar aquela pessoa só porque ela é mulher, e a exclui-la dos processos de cidadania e do bem-viver só porque ela é mulher”, explicou Cida Pedrosa, ao tratar do crescimento de ideologias de ódio às mulheres nas redes sociais, como como o movimento ‘red pill’.  “São homens mais velhos, que não se identificam nos grupos como homens mais velhos, se passam por jovens. E ficam captando meninos para dizer para eles que só existe a potência se eles estiverem com raiva das mulheres, que as mulheres não servem para nada, que as mulheres têm que ser submissas”.

A Gerente de Gestão da Rede da Secretaria de Educação do Recife, Mayline Carvalho, e a secretária-executiva da Mulher do Recife, Laleska Ferreira, representaram a Prefeitura do Recife na ocasião.

Segundo Mayline Carvalho, a rede pública municipal de ensino está empenhada na conscientização de estudantes por meio de instrumentos como a Unidade de Atendimento Social e Emocional (UASE). “É fundamental que as nossas escolas, realmente, tenham práticas voltadas para o respeito, uma educação voltada para o respeito, para a valorização das vidas”, disse, destacando ainda importância de iniciativas como o Núcleo de Enfrentamento à Violência Escolar (NEVE) e o Programa Educação que Protege. “Esses dois programas andam pelas escolas levando temáticas, debates, palestras, oficinas com temas voltados à cultura de paz, ao combate às violências”.

Laleska Ferreira salientou a importância do esforço institucional e social para lidar com a questão e salientou dois programas da Secretaria das Mulheres que tratam da prevenção e do enfrentamento à violência contra as mulheres nas escolas – o projeto Maria da Penha Vai à Escola, direcionado ao Ensino Fundamental I, e o projeto Empodera, voltado ao Ensino Fundamental II.

Além disso, a secretária-executiva também refletiu sobre o crescimento de ideologias misóginas. “O que a gente vê, hoje, é esse avanço muito grande desse discurso de ódio às mulheres. E aí, meninos, não é só contra as mulheres. Porque, quando eles dizem como é que a mulher tem que ser, eles também dizem como é que o homem tem que ser. Então, não sofre só a mulher. Sofre toda a sociedade”.

O gestor da Escola Municipal da Mangabeira, José Carlos Júnior, detalhou práticas e protocolos da unidade para a prevenção e o enfrentamento à misoginia. “Respeito não é favor. Igualdade não é exagero. E combater a violência contra a mulher não é assunto de adulto, apenas. É uma questão de humanidade. E a nossa escola precisa ser um lugar de fala”.

Também contribuíram com o debate a representante do ex-deputado estadual de Pernambuco Cayo Albino, a representante da Escola de Formação de Educadores do Recife Professor Paulo Freire, Jacira L’Amour, e a ex-vereadora do Recife Edna Costa.

Dentre os encaminhamentos da audiência, anunciados pelo vereador Hélio Guabiraba ao final do evento, estão a formação de um grupo de trabalho para visitas às escolas do Recife e a assinatura de um manifesto de compromisso ao enfrentamento a misoginia a violência contra a mulher e ao feminicídio.

Em 07.05.2026