Audiência discute misoginia e enfrentamento à violência contra a mulher nas escolas
Ao dar início ao evento, Hélio Guabiraba mencionou contribuições de seu mandato que fomentam a dignidade das mulheres e a prevenção de crimes. É o caso da lei municipal nº 18.523/2018, que instituiu o Programa de Combate aos Crimes contra a Dignidade Sexual no Sistema de Transporte Público, e da lei municipal nº 18.817/2021, que dispõe sobre o fornecimento de absorventes higiênicos nas escolas públicas municipais.
“Estamos aqui hoje para tratar de algo sério, que é proteger a vida das mulheres. E eu digo com clareza: não dá mais para agir só depois da violência. A gente precisa prevenir”, afirmou o vereador. “Misoginia é desrespeito, desprezo, ódio contra a mulher. E isso precisa mudar. O caminho é a educação. É ensinar aos nossos jovens o que é respeito, ensinar que a mulher não é objeto e não é alvo”.
As vereadoras Jô Cavalcanti (PSOL), Cida Pedrosa (PCdoB) e Ana Lúcia (Republicanos) integraram a mesa de debates da audiência – estas duas últimas, respectivamente como presidentes da Comissão da Mulher e da Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esportes da Câmara.
“A misoginia e o ódio às mulheres acontecem quando a gente passa a odiar aquela pessoa só porque ela é mulher, e a exclui-la dos processos de cidadania e do bem-viver só porque ela é mulher”, explicou Cida Pedrosa, ao tratar do crescimento de ideologias de ódio às mulheres nas redes sociais, como como o movimento ‘red pill’. “São homens mais velhos, que não se identificam nos grupos como homens mais velhos, se passam por jovens. E ficam captando meninos para dizer para eles que só existe a potência se eles estiverem com raiva das mulheres, que as mulheres não servem para nada, que as mulheres têm que ser submissas”.
A Gerente de Gestão da Rede da Secretaria de Educação do Recife, Mayline Carvalho, e a secretária-executiva da Mulher do Recife, Laleska Ferreira, representaram a Prefeitura do Recife na ocasião.
Segundo Mayline Carvalho, a rede pública municipal de ensino está empenhada na conscientização de estudantes por meio de instrumentos como a Unidade de Atendimento Social e Emocional (UASE). “É fundamental que as nossas escolas, realmente, tenham práticas voltadas para o respeito, uma educação voltada para o respeito, para a valorização das vidas”, disse, destacando ainda importância de iniciativas como o Núcleo de Enfrentamento à Violência Escolar (NEVE) e o Programa Educação que Protege. “Esses dois programas andam pelas escolas levando temáticas, debates, palestras, oficinas com temas voltados à cultura de paz, ao combate às violências”.
Laleska Ferreira salientou a importância do esforço institucional e social para lidar com a questão e salientou dois programas da Secretaria das Mulheres que tratam da prevenção e do enfrentamento à violência contra as mulheres nas escolas – o projeto Maria da Penha Vai à Escola, direcionado ao Ensino Fundamental I, e o projeto Empodera, voltado ao Ensino Fundamental II.
Além disso, a secretária-executiva também refletiu sobre o crescimento de ideologias misóginas. “O que a gente vê, hoje, é esse avanço muito grande desse discurso de ódio às mulheres. E aí, meninos, não é só contra as mulheres. Porque, quando eles dizem como é que a mulher tem que ser, eles também dizem como é que o homem tem que ser. Então, não sofre só a mulher. Sofre toda a sociedade”.
O gestor da Escola Municipal da Mangabeira, José Carlos Júnior, detalhou práticas e protocolos da unidade para a prevenção e o enfrentamento à misoginia. “Respeito não é favor. Igualdade não é exagero. E combater a violência contra a mulher não é assunto de adulto, apenas. É uma questão de humanidade. E a nossa escola precisa ser um lugar de fala”.
Também contribuíram com o debate a representante do ex-deputado estadual de Pernambuco Cayo Albino, a representante da Escola de Formação de Educadores do Recife Professor Paulo Freire, Jacira L’Amour, e a ex-vereadora do Recife Edna Costa.
Dentre os encaminhamentos da audiência, anunciados pelo vereador Hélio Guabiraba ao final do evento, estão a formação de um grupo de trabalho para visitas às escolas do Recife e a assinatura de um manifesto de compromisso ao enfrentamento a misoginia a violência contra a mulher e ao feminicídio.
Em 07.05.2026