Audiência pública debate a regulamentação da profissão de arteterapia
Na abertura da audiência pública, a vereadora Kari Santos pontuou que a arteterapia é uma profissão fundamental para que se possa tratar as questões pessoais, ressaltando a importância do indivíduo. Ela afirmou que era preciso fortalecer a categoria. “Diante da valorização dessa profissão, a gente está trazendo esse debate na Casa de José Mariano. O intuito é trazer visibilidade e fortalecer a luta de vocês, aqui no Recife”, disse. “A regulamentação da profissão de arteterapeuta está em tramitação na Câmara dos Deputados, e esse é um momento de diálogo e de abertura”, complementou a parlamentar.
Dani Barreto, arteterapeuta e diretora do CET - Centro de Educação Terapiarte, disse que a arteterapia é considerada uma prática terapêutica que se utiliza de recursos expressivos, como desenho, pintura, escrita criativa, entre outros, como caminhos de cuidados, escuta e elaboração emocional. “Muitas vezes, existem experiências que as palavras sozinhas não conseguem alcançar. A expressão criativa permite que emoções, memórias e vivências encontrem formas, sentido e possibilidade de transformação. Existem dores que não conseguem ser organizadas apenas com a fala. E a arte abre caminhos de expressão, pertencimento e reconstrução subjetiva”.
Mariana Amorim, arteterapeuta e facilitadora de SoulCollage, realiza um trabalho com jovens em situação de vulnerabilidade social há nove anos. Ela ressaltou que por meio das propostas que desenvolve, histórias são guardadas no inconsciente e podem aparecer or meio de imagens. “E algumas imagens me comunicaram que havia um medo absurdo sobre o futuro. Mas, ainda assim, aquelas imagens guardavam a esperança. Eu gostaria que mais pessoas tivessem acesso a essa experiência de conexão consigo mesma proporcionada pela arteterapia. Que vejam como a vida é uma grande oportunidade e que sofram menos com o viver”.
Edna Ferreira Lopes, arteterapeuta, psicóloga e membro fundador da Arte-PE, disse que a arteterapia vai além da relação com o indivíduo. É uma relação com grupos e com o social. “Então, quando a gente chega em pessoas em situações de rua, elas começam a refletir a partir da sua experiência com o processo criativo”.
Já Josefina Campos, sócia gestora do Gerar Psicologia, Arteterapia e Bem-estar, disse que coordenou um projeto de arteterapia para mulheres 60+. Ela contou como foi a experiência. “No total de seis meses, juntamos essas mulheres com o objetivo de promover vivências em arteterapia visando o bem-estar em saúde mental. Começamos com a sensibilização no sentido de baixar as tensões com músicas, danças e poemas. Por fim, tinha uma roda de conversa para compartilhar experiências e acolher as emoções”.
Enidja Cristina Saraiva Acosta, arteterapeuta, psicóloga e especialista em psicologia transpessoal, relatou a experiência de uma paciente que expressou seus sentimentos numa aula de arteterapia em que se utilizava o barro. “Uma mulher produziu um coração e foi pedido para que ficasse olhando a imagem. Depois, pôs a cor preta e caiu num choro compulsivo. Reportou-se a um dia em que assinou 32 atestados de óbito, com apenas 22 anos de idade. Todo o material subjetivo que estava guardado e reprimido lá atrás, dentro dela, diante daqueles simples pedaços de barro, se revela. Então, esse é o poder que a arteterapia tem”.
Encaminhamentos - Ao final da audiência pública, a vereadora Kari Santos explicou que pretende propor "para que seja discutida essa política de prática integrativa de saúde no Recife junto com as Secretarias de Saúde e de Educação. A gente quer impulsionar e trazer esta questão da saúde de forma humanizada, com cuidado, com afeto, com escuta para que as pessoas possam se expressar através da arte".
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Em 18.05.2025