Câmara do Recife presta homenagem póstuma ao vendedor Barruada
Natural de Glória do Goitá, Zona da Mata de Pernambuco, Joaquim Antônio da Silva, chegou ao Recife ainda jovem e estabeleceu na cidade a sua trajetória pessoal e profissional. Ele morreu aos 72 anos e por mais de 50, vendeu cachorro-quente em frente ao Colégio Salesiano, na Boa Vista , tornando-se presença marcante na rotina dos estudantes, familiares e moradores do bairro
Para o autor da homenagem póstuma na Câmara Municipal, vereador Eduardo Moura, trata-se de um reconhecimento institucional da dignidade do trabalho simples e cotidiano que sustenta e humaniza os bairros da cidade. Emocionado, o parlamentar contou que conheceu a história de Barruada em 2020, quando era repórter de um programa de TV e o entrevistou após o vídeo viralizar.
O parlamentar lembrou que no vídeo Barruada dizia, sobre o dinheiro recebido na vaquinha feita pelos alunos e ex-alunos, "podem parar de doar, eu não preciso mais, já dá para eu fazer a minha feirinha". Essa atitude, contou Eduardo Moura, o emocionou mesmo sendo um repórter experiente em acompanhar o cotidiano de lutas e desafios do Recife.
"Hoje, eu estou tendo o privilégio de estar aqui vivo, com saúde, e o privilégio dos familiares terem aceitado uma homenagem, mesmo que póstuma, para um cara que, para mim, se tornou exemplo para o Brasil do que é ser honesto. De uma honestidade tamanha que, mesmo na dificuldade, fez com que ele pedisse para parar as doações porque ele já tinha o suficiente, porque ele não precisava de luxo, não precisava de nada além do sustento dele", disse.
Em seguida, o vereador entregou a Medalha de Mérito José Mariano aos filhos e netas de Barruada. A mesa de honra da solenidade foi composta pelos filhos Cláudia Maria da Silva, Claudete Maria da Silva e Marinho Joaquim Antônio da Silva, além do representante dos ex-alunos do Colégio Salesiano, Gilberto Lima.
O representante dos ex-alunos do Colégio, Gilberto Lima, ocupou a tribuna e disse que Barruada esteve presente em diversos momentos da vida de quem estudou no Salesiano e que a barraca dele era ponto de encontro dos alunos. "Para além de tudo, do cachorro-quente icônico, para além do nosso ponto de encontro, para além de tudo o que a gente viveu, a gente teve o privilégio de ter o testemunho educativo daquela pessoa simples, do povo, que teve a honra, a simplicidade, a honestidade de dizer que [o dinheiro] já era suficiente para ele. É uma homenagem mais do que merecida, justa, a uma pessoa do povo".
Em nome da família quem falou foi uma das netas. Luciana Silva lembrou com carinho o exemplo deixado pelo avô. "Ele foi alguém que nos deixou marcas profundas através do amor, da força, do cuidado e de todos os ensinamentos que carregamos até hoje. Mesmo com a saudade que vai permanecer, também permanece o orgulho da pessoa que o meu avô foi, e conviver com alguém tão especial é muito gratificante", disse. "A palavra de hoje é gratidão por toda essa homenagem tão significativa que é para nós e, para manter isso, só a concretização da memória de alguém que jamais será esquecido".
Ao finalizar a reunião solene, o vereador Felipe Alecrim, presidente da solenidade, falou do orgulho e admiração que sente por trabalhar na mesma Legislatura que o vereador Eduardo Moura e o parabenizou pela iniciativa. "Homenagear hoje Barruada é enaltecer esse legado de honestidade".
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Em 28.05.2026.