Câmara realiza reunião pública sobre Dia Municipal do Pé Torto Congênito

A cada mil recém-nascidos no mundo, entre um ou dois apresentam uma deformidade chamada Pé Torto Congênito (PTC). A alteração física afeta 200 mil a cada ano, 80 por cento dos casos em países em desenvolvimento. Trata-se de uma malformação que envolve os ossos, músculos e tendões e que leva as crianças a nascerem com os pés para dentro e para baixo. Para ajudar na conscientização da população sobre a deficiência e ampliar o debate político, o Dia Municipal do Pé Torto Congênito (PTC) foi celebrado em reunião pública realizada na tarde desta quarta-feira (3), na Câmara Municipal do Recife, por iniciativa da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB).

O evento, que reuniu médicos, outros profissionais da área de saúde e familiares de pessoas que têm a malformação, funcionou também como uma reflexão sobre o trabalho desenvolvido pelo Sistema Único de Saúde e fez um reconhecimento aos profissionais que atuam na linha de cuidado, no Hospital Getúlio Vargas (HGV). Em Pernambuco, o HGV consolidou-se como uma importante referência no atendimento às crianças com pé torto congênito. As chamadas Mães do Pé Torto Congênito, organização que reúbe mais de 100 mulheres e que têm papel fundamental no cuidado, no tratamento e no bem-estar das crianças, também receberam a homenagem. Todos receberam um certificado dado pela vereadora. Os nomes estão publicados abaixo deste texto.

Cida Pedrosa é autora do projeto de lei originário da Lei Municipal 19.316/2024, que criou a data no Calendário Oficial de Eventos do Município do Recife. Celebrada em 3 de junho, a data ratifica o Dia Mundial do Pé Torto Congênito, que marca o nascimento do biólogo e médico espanhol, Ignacio Ponseti, criador de um método de baixo custo, para tratar a deformidade – o Método Ponseti. “Essa lei representa o reconhecimento de uma luta coletiva e o compromisso de ampliar a informação, o acolhimento e o acesso ao tratamento do PTC. Esta data deve servir para promover campanhas educativas, qualificar profissionais, fortalecer a articulação entre Município, Estado e SUS, além de manter um diálogo permanente com as famílias”, disse a vereadora.

Ela observou que o sucesso do tratamento do PTC não depende apenas dos procedimentos médicos, mas de uma rede comprometida que acompanhe cada etapa do processo e orienta as famílias ao longo do caminho. A vereadora acrescentou que ainda há muito a avançar no tratamento do PTC e que é preciso fortalecer a linha de cuidado no SUS, garantindo que o diagnóstico seja rapidamente encaminhado para os serviços especializados, que as famílias recebam orientação adequada desde o nascimento e que o acesso aos tratamentos, órteses e acompanhamento multiprofissional aconteça de forma ágil e universal. “O desafio não é apenas oferecer atendimento, mas assegurar que ele chegue a todas as crianças, em tempo oportuno e com qualidade”.

Além de Cida Pedrosa, fizeram parte da mesa de debates a gestora de Atenção e Articulação em Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde, Shirley Michele Santos Monteiro; a diretora geral do HGV, Thaís Cavalcanti de Almeida; a diretora médica do HGV, Luciana Lucena; o coordenador da Clínica do Pé Torto Congênito do HGV, médico Julio Lima, que inspirou a criação do Dia Municipal do Pé Torto Congênico; e uma representante do grupo Mãe do Pé Torto Congênito, Fabiana Pereira da Silva.

Em sua apresentação, a gestora de Atenção e Articulação em Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde, Shirley Michele Santos Monteiro, disse que tem recebido dados, fatos e números da produção do ambulatório de Pé Torto do HGV. “É uma produção de qualidade e humanização, que atende a centenas de pacientes. Contem sempre com a Secretaria estadual de Saúde”.

O coordenador da Clínica do Pé Torto Congênito do HGV, médico Julio Lima, disse que o ambulatório vem se tronando uma referência estadual e regional. “Temos pacientes de vários estados, como Bahia, Ceará, Paraíba e Alagoas. Somos portas abertas e nenhuma criança fica sem tratamento. É uma equipe comprometida, que trabalha com determinação, ciência e compromisso social, para garantir que as crianças sejam tratadas e cresçam saudáveis para se tornarem adultos produtivos”. Ele ressaltou que, no tratamento, em geral, são as mães que assumem a responsabilidade de todo o tratamento. “São mulheres que transformam amor em coragem. Mesmo diante do cansaço e das adversidades, seguem as orientações médicas e garantem a recuperação dos filhos”.

A diretora geral do HGV, Thaís Cavalcanti de Almeida falou em seguida. “Agradeço em nome do HGV por essa homenagem que é feita aos profissionais. Sou médica do hospital e lembro que anteriormente tudo ficava nas mãos de doutor Julio Lima. Hoje, o ambulatório do Pé Torto é motivo de orgulho. Foi uma luta grande para ele ser ampliado e ganhar uma equipe. Contamos atualmente com apoios fundamentais como o de Shirley Monteiro. Hoje, o tratamento do HGV virou um programa de estado. O tratamento que é feito no ambulatório muda a vida de crianças, que antes viviam excluídas [por causa da deformação] e passam a participar da vida social, e dos familiares”.

A diretora médica do HGV, Luciana Lucena, agradeceu à homenagem e lembrou que a luta das famílias que têm filhos com PTC é diária e que o Dia Municipal do Pé Torto “foi criado com objetivos de muita sensibilidade”. A representante do grupo Mãe do Pé Torto Congênito, Fabiana Pereira da Silva, fez um depoimento emocionado, falando de sua experiência (tem uma filha de 12 anos e um sobrinho, ambos com PTC. Ela contou das dificuldades para levar a filha ao hospital e agradeceu pela atenção que recebe no ambulatório de Pé Torto. “Hoje, minha filha usa gesso. Minha filha, finalmente, pode ficar de pé sozinha. Eu agradeço demais a essa equipe que acolhe bastante”.

Um dos encaminhamentos da reunião pública será a elaboração de um requerimento pedindo que a plataforma Conecta Recife tenha informações sobre o PTC. Um projeto de lei deverá ser feito para que a Secretaria de saúde do Recife mantenha cartazes nos postos de saúde do município, dizendo quais são os locais onde são realizados os serviços de tratamento do PTC.

 

Clique aqui e assista a reportagem do TV Câmara do Recife.

Clique aqui e assista a reunião pública: Dia Municipal do Pé Torto.

 

Profissionais do amubulatório do Pé Torto, que foram homenageados:

Alena Correia de Queiroz

Ana Carolina de Almeida Vilela

Célia Maria dos Anjos Melo

Carmen Lúcia Rocha Calaça

Darli Maria de Souza

Epitácio Leite Rolim Filho

Fernanda Tavares Costa de Souza Araújo

Henrique José Alves Malheiros Júnior

Izabel Rodrigues Santana

Josenilda Ferreira do Nascimento

Karla Daniella Soares Cavalcanti

Luciana Lucena Raboni

Luiz Fernando Cardoso de Moraes

Maria Lucineide da Silva Lima

Mirella Nascimento de Lima Guilherme

Murilo Marques Bezerra Filho

Rosângela Maria da Rocha

Shirley Michele Santos Monteiro

Thaís Cavalcanti de Almeida

Vicente Julio Barbosa de Lima

Wagner Cabral Gomes Carneiro

 

Mães homenageadas:

Valmira Maria dos Santos

Fabiana Pereira da Silva

 

Em 03.06.2026.