Vereadores debatem criação de Brigada de Enfrentamento ao Racismo e à Intolerância Religiosa
Além do efetivo necessário para a criação da Brigada, Eduardo Moura, ao ocupar a tribuna, também questionou se o pedido deveria ser tramitado em projeto de lei ou de requerimento. "Eu vi o requerimento e não há a descrição de como seria feito isso. Na parte técnica tem 'instituir a brigada', e onde ela seria vinculada? Não tem dizendo qual seria o processo para isso, quantos guardas municipais masculinos e femininos, com que equipamento iriam atuar e de onde seria tirado", disse.
Em aparte, Cida Pedrosa explicou que a criação dessa brigada seguiria a mesma lógica da Brigada Maria da Penha. "Esse trabalho se daria dentro da estrutura de poder da Secretaria de Direitos Humanos. Nós temos uma coordenação de Igualdade Racial que recebe denúncias, que faz o trabalho antirracista e essas brigadas trabalham tanto para dentro, quanto para fora", disse. "Não vai gastar mais dinheiro porque já existe o quadro efetivo. Como foi criada a Maria da Penha? Se fez a escolha daqueles que queriam participar, a Secretaria da Mulher fez uma formação de mais de mês com esses guardas e é o que vai acontecer também com a Brigada Marta Almeida; a Secretaria de Direitos Humanos iria formar esses guardas na temática para o atendimento. A parte operacional é de responsabilidade do comando da Guarda e a parte temática é de obrigatoriedade da Secretaria".
Em seu pronunciamento na tribuna sobre o requerimento, Thiago Medina argumentou que o pedido pode abrir espaço para uma proteção direcionada apenas para as religiões de matriz africana. Mencionando casos em que paredes de igrejas teriam sido alvo de pichações, ele defendeu que religiões de base cristã também sofreriam discriminações. “Ou tem uma brigada para qualquer tipo de intolerância religiosa, ou não tem nenhuma. Ou será que o tipo de intolerância religiosa com terreiro é maior do que [a que acontece] com a igreja?”
Cida Pedrosa retornou ao microfone de aparte do plenário para explicar que as especificações do requerimento ocorrem porque a intolerância religiosa contra religiões de matriz africana teria um forte componente de racismo institucional e estrutural. “Se você pegar percentualmente quem mais sofre intolerância no Brasil são os terreiros, que estão sendo atacados, vilipendiados. Tem terreiros que recebem pessoas que derrubam os santos de terreiro, os orixás, e isso é permanentemente”.
Clique aqui e assista à reportagem do TV Câmara do Recife.
Clique e assista ao pronunciamento do vereador Eduardo Moura e aparte.
Clique e assista ao pronunciamento do vereador Thiago Medina e aparte.
Em 01.06.2026