Ana Lúcia sugere criação de Programa Municipal de Atenção à Mulher Autista

Tramita na Câmara do Recife, o Projeto de Lei nº 142/2026, de autoria da vereadora Ana Lúcia (Republicanos), que propõe a criação do Programa Municipal de Atenção à Mulher Autista. A iniciativa busca ampliar o reconhecimento das necessidades específicas de meninas, adolescentes e mulheres com Transtorno do Espectro Autista (TEA), promovendo ações de acolhimento, orientação e inclusão.

Para a autora, o objetivo da iniciativa é garantir mais visibilidade a um público que, por muitos anos, enfrentou dificuldades para receber diagnóstico e acesso aos serviços adequados. De acordo com o Mapa Autismo Brasil, um terço das mulheres autistas só recebe o diagnóstico após os 20 anos, enquanto menos de 10% dos homens enfrentam a mesma demora. “Essa diferença impacta profundamente a vida dessas mulheres: afeta a formação escolar, dificulta a inserção profissional, compromete a saúde mental e impede o pleno desenvolvimento de suas potencialidades. Esse esforço contínuo gera sobrecarga emocional, ansiedade, depressão e um sentimento permanente de que precisam “dar conta” de um mundo que não foi pensado para acolhê-las”, analisou Ana Lúcia.

Entre as medidas previstas na proposta estão o incentivo ao diagnóstico precoce, a capacitação de profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, além da criação de grupos de apoio, campanhas educativas e atividades voltadas à inclusão social, educacional e profissional. O projeto também prevê parcerias com universidades e organizações da sociedade civil para fortalecer pesquisas e desenvolver ações que contribuam para uma rede de atendimento mais preparada e acolhedora.

Ana Lúcia reforça que ao instituir o Programa Municipal de Atenção à Mulher Autista, a Câmara do Recife reconhece que não há inclusão plena quando parte da população permanece silenciada, não compreendida ou desassistida. “Reconhecer as mulheres autistas é, antes de tudo, reconhecer suas trajetórias, seus talentos e a urgência de Políticas Públicas que as enxerguem em sua singularidade. Com a criação do programa, a expectativa é ampliar o acesso à informação, fortalecer a proteção dessas mulheres e contribuir para a construção de políticas públicas mais inclusivas e sensíveis às suas realidades”.

A matéria recebeu parecer favorável da Comissão de Educação da Casa, mas ainda aguarda outros pareceres para ser colocada em votação no plenário.

Em 06.07.2026